Moda, recuperação econômica, natalidade e otimismo

Moda, recuperação econômica, natalidade e otimismo

Por Márcia Flau

Quando economia e emoção se encontram.

Otimismo não é apenas a disposição de pensar que as coisas vão dar certo. Ou esperar sempre o melhor. É uma força propulsora para muitas, pequenas e grandes decisões que tomamos na vida, como a compra de um par de sapatos, a paleta de cores que se vai usar na próxima coleção ou a decisão de ter filhos ou não, e quando. Estas decisões, pessoais ou de mercado, são impactadas pelo  otimismo. Lembremo-nos dos babies boomers, uma geração inteira que chegou com a alegria pelo fim da 2ª Guerra.

Na esteira do fim da 2ª Guerra, Dior criou o New Look, muito tecido e glamour para esquecer as tristezas. Destaque-se: mais moda significa investimentos, empregos, circulação de riqueza e mudanças importantes nos comportamentos de compra e da sociedade como um todo. Economia aquecida se alimenta e realimenta o otimismo.

A crise arrefece de forma desigual. A recuperação americana e chinesa acontece na economia real, nas bolsas de valores e, principalmente, online. A Europa ainda está tímida. Em Portugal, a timidez dos casais ocasionou queda da natalidade, o que vai se refletir na paulatina diminuição da força produtiva. O desejo precisa voltar a ser fashion.

Há sinais animadores vindo da indústria da moda portuguesa. Tenho acompanhado os lançamentos dos designers e fico otimista com o papel que a indústria da moda pode desempenhar no esforço de recuperação. O Lisboa Fashion Week, na edição FALL/WINTER 21/22,  mostrou criatividade e versatilidade, numa conexão direta com um consumidor digitalizado, ávido por estilo e em busca de inclusão. Moda de autor, com  inúmeras peças-desejo.

Richard H. Thaler, Prêmio Nobel de Economia/2017, demonstrou que agimos pela emoção, não pela razão. Quem sabe, este seja o momento ideal para deixar de lado a racionalidade e abraçar, para usar um verbo cancelado pela pandemia, nossos desejos de beleza? Não estimulo um delírio a la Becky  Bloom, mas  um desejo de consumo civilizado, como comprar um batom ou um vestido novo, para reaquecer o coração e, patrioticamente, a economia. Só  uma esperança, poderosamente otimista.

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